Há que identificar a totalidade dos sintomas do paciente de forma a conseguir a sua remoção, o que equivale à destruição integral da causa da doença.
A soma de todos os sintomas em cada caso individual de doença deverá ser a única indicação, o guia isolado para nos orientar quanto à escolha de um determinado remédio (§ 18 do Organon). O simillimum resulta da comparação entre os sintomas da doença, os sinais do doente e os sintomas dos medicamentos exibidos nas matérias médicas.
Esta identificação consegue-se por intermédio do seu “exame”.
Segundo Hahnemann:
O nosso modelo de interrogatório foi idealizado visando uma repertorização breve e o mais exacta possível.
Durante o interrogatório devem ser sempre tomadas em consideração:
As modalidades que provocam, agravam ou melhoram os sintomas, alternâncias ou concomitâncias sintomáticas, todos os factores subjectivos e sensações associadas à doença ou ao próprio paciente como entidade global, a lateralidade, horários de agravamento e melhora e os factores etiológicos que geraram a morbicidade do quadro.
A modalidade homeopática determina em que circunstâncias melhora ou agrava o sintoma ou a totalidade sintomática do paciente. São as modalizações que tornam o sintoma característico.
Alguns exemplos:
Alimentares: agravações ou melhoras por efeito de determinados alimentos ou bebidas.
Atmosféricas e ambientais: andando ao ar livre, desejo ou aversão dos grandes espaços, lugares fechados, chuva, neblina, humidade, tempestade, sazonalidade, luz – natural ou artificial –, ruído, música, odores.
Banho e lavagens: frio, quente, mar, aversão a lavagens.
Corpos celestes: Sol, Lua, estações do ano.
Horárias: dia, manhã, tarde, noite, anoitecer, uma qualquer hora específica.
Lateralidade: direita, esquerda.
Locomoção e posição: andar, andar de carro, barco, correr, dançar, deitado, sentado, em pé, de joelhos, curvado.
Movimento e repouso: no começo do movimento, durante ou após o mesmo, deitado ou sentado.
Roupas: apertadas ou não, cobrir-se, descobrir-se, nu.
Temperatura: calor, frio, mudança.
A anamnese compreende um período prévio em que o paciente mencionará a sua queixa principal e relatará mesmo que parcialmente, a história pregressa da doença.
A todo o momento, o homeopata deve atentar nas características peculiares e únicas do seu paciente. Desde o momento em que ele entra no consultório até à sua partida, o homeopata tem obrigação de constatar todo e qualquer sinal pertinente para a procura do medicamento correcto.
Esta perspectiva global do paciente compreende inúmeros aspectos que serão discutidos na parte respeitante ao interrogatório propriamente dito, embora se destaquem alguns de compreensível importância: aspecto do paciente, movimentos, gestos com a face, modo de falar, grau de lucidez mental, odor, etc.
No que respeita às fases da anamnese – segundo o Dicionário de termos técnicos de Medicina e Saúde de Luis Rey: “Reminiscência, recordação. Relato feito pelo paciente (ou alguém responsável por ele) sobre os antecedentes, detalhes e evolução da sua doença até ao momento do exame médico; história pregressa da doença”. Num sentido mais lato, o conceito de anamnese engloba a fase de interrogatório propriamente dita. Embora não resultem de relato espontâneo por parte do paciente, os sinais recolhidos por via de interrogatório, desde que o homeopata não sugira as respostas ao doente, assumem por defeito a validade de sintomas –, numa consulta de homeopatia:
O paciente deve apresentar uma história o mais detalhada possível da doença.
Se possível, deverá referir os factores etiológicos ou biopatográficos.
factor etiológico – ou biopatográfico – é o acontecimento que originou o estado patológico. Pode ser hereditário – causa diatésica –, ter origem física – exposição ao frio húmido ou frio seco – ou psicológica – desgosto de amor, ciúme, medo ou pânico –.
Procederá à descrição do quadro sintomático.
Compreende uma série de passos que poderá seguir ou não, dependendo da sua experiência clínica ou até mesmo da sua predilecção por um outro modelo de questionário. Não é forçoso que o bom interrogatório seja tal qual aquele que demonstramos. Pelo contrário, este modelo de interrogatório é meramente indicativo de como se poderá processar o questionário aplicado à clínica homeopática.
O questionário que apresentamos depende directamente da estrutura do Repertório Homeopático de Ariovaldo Ribeiro Filho, que tem por base o de Kent.
2.1 Dados pessoais
Aqui, incluem-se todos os dados pessoais do paciente tais como: nome, idade, profissão, agregado familiar, etc.
Podem preencher-se estes dados logo à chegada do paciente ao consultório – atitude mais corrente –, permitindo que se descontraia e se familiarize com o homeopata e o espaço da consulta.
2.2 Fase interrogatória.
2.2.01 Sobre a mente e as ilusões.
2.2.02 Sobre o sono e os sonhos.
2.2.03 Cabeça e pescoço.
2.2.04 Olhos e visão.
2.2.05 Ouvidos e audição.
2.2.06 Nariz.
2.2.07 Face.
2.2.08 Boca, paladar e dentes.
2.2.09 Apetite, bebidas e alimentícios.
2.2.10 Garganta, garganta externa.
2.2.11 Laringe e traqueia.
2.2.12 Tórax, peito.
2.2.13 Aparelho respiratório, respiração.
2.2.14 Tosse.
2.2.15 Expectoração.
2.2.16 Costas.
2.2.17 Aparelho cardiovascular.
2.2.18 Abdómen e estômago – aqui se incluem todos os órgãos nobres abrigados na região abdominal, nomeadamente, baço, fígado, intestinos, vesícula biliar –.
2.2.19 Recto.
2.2.20 Rins e bexiga.
2.2.21 Excreções (urina e fezes).
2.2.22 Genitais.
2.2.23 Pele.
2.2.24 Aparelho locomotor.
2.2.25 Sistema nervoso.
2.2.26 Transpiração.
2.2.27 Dor.
2.2.28 Generalidades – aqui incluem-se as modalidades de agravamento ou melhora mais gerais –.
2.3 Interrogatório sobre os antecedentes do paciente.
2.3.1 Antecedentes familiares – os antecedentes familiares compreendem: falecimentos, patologias e estados mórbidos dos ascendentes e colaterais do paciente –.
2.3.2 Antecedentes pessoais – estes englobam: antecedentes patológicos e tóxicos, imunizações, alergias medicamentosas, outros tipos de alergia, tratamentos actuais. Não convém descurar os factores psicológicos que de alguma forma possam ser categorizáveis como antecedentes pessoais.
2.3.3 Antecedentes ginecológicos
– neste momento questiona-se a paciente sobre: menarca, menopausa, ciclo menstrual, dispareunia, dismenorreia, síndrome pré-menstrual, incómodos pélvicos, leucorreia ( (odor, cor, consistência, quantidade), gravidezes (abortos, vivos), partos (cesarianas), tratamentos hormonais e contraceptivos .
2.4 Inspecção ou exame.
2.4.1
Sinais vitais – Inclui: pulso, temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória –.
2.4.2
Aspecto geral – nesta fase podem avaliar-se: nutrição (normal, caquexia, magreza, desnutrição, excesso de peso, obesidade), estado sensório (estupor, confuso, alerta, obnubilado ou outros dados pertinentes), postura e atitude (colabora, não colabora, etc.), hidratação (normal, desidratação leve, moderada ou grave), perfusão (palidez, cianose), desenvolvimento ósseo e muscular (normal ou anormal) –.
2.4.3
Reavaliação e consolidação, a posteriori, por intermédio do exame, dos dados obtidos na fase de interrogatório – os restantes sinais recolhidos na fase de exame podem associar-se a determinadas questões do período de interrogatório que se susceptibilizem de confirmação empírica.